Maybe I know, deep down, that, about the rest, nothing matters.

De vez em quando o silêncio queria caminhar em passos leves e contados pra longe dali… A respiração era cada vez mais difícil naquele cubículo curto e úmido. Dava pra ver a neve pelos furinhos, mas não dava pra saber se era mais frio ali ou lá fora… Respiração escassa. O silêncio corria para longe e, aos poucos, o barulho do rádio tomava conta do sótão. Dava pra ouvir, de leve, os gritos ecoando nas cidades vizinhas. Exércitos aéreos invadiam seu país. O silêncio agora era cada vez mais raro, os livros em chamas, assim como olhas, bocas, nucas, mãos e pernas. Pedaços de gente pairavam no tempo, assim como pedaços de vidas, de sonhos, de murmúrios não sibilados. O rádio, anunciando que eles estavam perto, de súbito tornou-se apenas chiado como fosse chuva forte. Não que tivesse dado tempo de perceber… Seu sótão, naquela cidade, fora o primeiro a ser atingido.

Todo fim de ciclo representa o começo de um outro. É doloroso, mas o fim vem pra ti tornar forte.

As lágrimas limpam a alma assim como a chuva limpa as janelas. E pelas janelas você vê a cidade passando e muita gente ficando pra trás e muita gente chegando e saindo. E então você vê também a vida passando e quando observa o que ficou pra trás enxerga o quanto caminhou pra chegar até onde está, daí olha pra frente e vê o quanto ainda tem por andar. São léguas, há muita estrada entre o ponto de partida e a linha de chegada… Há muita coisa a ser deixada, escolhas a serem tomadas, bifurcações, indecisões, mas não deixe nunca haver limitações.

Se eu fecho os olhos e mergulho em mim me afogo em você.

- Mend Zeidan

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Why on the Christmas the humans are so kind? What happens to them? And why in the last week of the year they get so hopeful? Seems that in 31 days all the bad things done in a entire year disappeared and  then came to the fore only the good things. Where humans want to go with this? The Christmas does not have the true sense if the good deeds are done only on December. And you’ll never, I said NEVER, will have a Happy “New” Year if your deeds are always equal. If your steps are the same. If your ways are the same. If your mistakes are the same. If YOU are the same, all the time, all the years, on a entire year. December to January is only 1 second and it will not make different 365 days. Only YOU have this power. Think about it.

“O ano está acabando. O que você fez? Você mudou? Você vai querer continuar neste caminho?”

Por que no Natal os humanos são tão bondosos? O que acontece com eles? E por que na ultima semana do ano eles ficam tão esperançosos? Parece que em 31 dias todas as coisas ruins feitas num ano inteiro desapareceram e vem à tona apenas as coisas boas. Onde os humanos querem chegar com isso? O Natal não terá o verdadeiro sentido se as boas ações forem feitas apenas em Dezembro. E você nunca, eu disse NUNCA, terá um feliz ano “novo” se suas ações são sempre iguais. Se seus passos são os mesmos. Se seus caminhos são os mesmos. Se seus erros são os mesmos. Se VOCÊ é o mesmo, o tempo todo, todo ano, o ano inteiro. De Dezembro até Janeiro é apenas 1 segundo e isso não vai tornar 365 dias diferentes. Só VOCÊ tem esse poder. Pense nisso.

Raised your eyes to the sky and felt your own heart as far as it could be.

Elevou seus olhos para o céu e sentiu seu coração tão longe quanto poderia estar.

The music says what the heart can’t express.

The pain always return to my heart again

O chá de quente fez-se gélido e pálido na pontinha da varanda. Sobre a cadeira de balanço na suave dança do vento, o livro entreaberto e como marcador de página uma borboleta empalhada. Não queria mais o chá. Não queria mais ler. Não queria mais voar como a borboleta. O tempo arrastado parecia estar congelado e sombrio como uma pintura impressionista, quando na verdade corria veloz no embalo de uma arte futurista. As impressões de tudo o que um dia foi - e já não é mais - foram embora juntamente com as coisas que se foram e já não esão mais. Preferia assim. Uma mente livre e oca. Sem conceitos e nem preconceitos. Sem dores ou mágoas mas também sem doces recordações.
O chá quente-gélido era assoprado de mansinho pela brisa de fim de tarde enquanto esperava o Sol se pôr. Esperava por aquilo durante horas e todos os dias. “Por que quando a gente tá triste, a gente gosta de ver o pôr-do-Sol”. Por que, de fato, o Sol se põe para aqueles cujos corações precisam ser acalentados. E pensava consigo mesmo que mentes são impenetráveis e se compreende em um labirinto cujas almas gostam de se perder.

Mend Zeidan via namaodopoeta

Deitou  e calou o coração. Esperou que o cérebro também calasse, mas ele parecia mais frenético que peixe fora d’água. Entrelaçou-se por entre os lençóis, sentiu o frio da noite entrar-lhe nas narinas até quase ter a sensação de ardência e quis estar pertinho de uma fogueira. E lembrou do seu ultimo sonho. Tinha um dragão vermelho que cosia fogo. E nem era qualquer fogo, não, na verdade nas extremidades das labaredas tinha algo como gelo. Era, sei lá, um fogo gelado. E quis saber se sonhos são respostas para seu mundo externo ou perguntas do seu mundo interno. Quis saber se aquilo representava tudo o que vira no mundo até então, se eram perguntas às suas respostas ou respostas às suas perguntas. Mas, de repente, quis saber se era apenas uma vivência normal, como no mundo real,só que em um universo paralelo. É que já ouvira falar, em algum dia insano de sua minúscula vida, que existe um outro você, igualzinho, em um outro lugar, também igualzinho, fazendo coisas que na verdade não se sabe se são iguaizinhas às que você faz. Foi aí que pensou que a cada escolha que você faz, você deixa infinitas outras de lado, e se, a cada escolha que você faz e deixa outras tantas infinitas de lado, surgir um outro você - igualzinho, contudo diferente - o mundo deve ser um computador biológico absurdamente pesado. E, por isso, lento.

Já aprendi a fazer dreamcatcher, tô tocando flauta, sei tocar violão e tô aprendendo a fazer aquelas pulseirinhas que vendem na Universidade. Pronto, mãe, se nada der certo eu viro hippie. Não vou mais me estressar com nada, vou sair de noite pra ver o mar, deitar na areia e ver o sol nascer. E se eu não voltar, não se preocupe, a poesia é minha arma, a brisa meu escudo, Deus vai me guiar e os anjos cobrirão meu caminho. Cada um escolhe seu mundo, tece ele com a lã do tempo. Se for pra dar certo, Deus ajuda, se não for não barre o vento. Mas quando a lua cair, mãe, se eu não tiver, deixa pra lá. A areia do mundo todo vai ser meu chão, minha casa será em qualquer lugar. Se não foi o que você quis, se não foi o que ninguém quis, se não foi o que era pra ter sido deixa quieto, tudo um dia vai se encaixar. Me desculpa se eu não puder voltar. Desculpa mais ainda se eu não quiser ficar. Mas o mundo é um oceano que espera ser desbravado. Se há dragões, há moinhos. Se muitas mães choraram do outro lado do oceano, esperando seus filhos, se muitas esposas perderam seus maridos, se muitas amantes perderam seus amigos, é a sina do mundo, é a orquestra da vida. O oceano continuar a vomitar águas ferozes. O oceano às vezes engole o barco, mas sempre ensina a navegar.

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“Sem querer se perdeu num Universo chamado Saudade”

— Mend Zeidan
“Andava com os olhos no chão, a cabeça nas núvens e o coração do outro lado da cidade. Andava imersa na saudade.”

— Mend Zeidan via namaodopoeta

Deixa eu dormir no mar do teu sorriso e me embalar na calmaria do teu olhar.


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